Uma noite na Casa Abandonada – 4º Capítulo

«-António…- Gritou novamente Clara.

António deu um grito. Tinha levado um tiro no braço.

-Estás bem, António?

-Sim, estou. Vai-te embora. Foge!

A arma estava caída e o homem ia em direção a ela. Clara levantou-se e chegou primeiro e, sem pensar, disparou contra o homem.

A casa estava quase a desabar. Clara correu até António, ajudou-o a levantar-se e foram em direção à porta.

Quando saíram, estava lá a turma toda, a polícia e uma ambulância. Foram todos ter com eles e os paramédicos foram buscar o António para lhe tratarem do braço.

O chefe da polícia ia a entrar para buscar o chefe (os outro dois já tinham sido apanhado).

-Não entre! A casa está a desabar. – Disse Clara

-Eu tenho que o prender, não o posso deixar morrer. – Disse o agente virando as costas.

-Eu matei-o…-Disse Clara com alguns soluços. – E logo a seguir a casa acabou mesmo por desabar impedindo o inspetor de entrar.

-Queres contar-me melhor essa história? – Disse o agente aproximando-se de Clara.

Clara estava muito nervosa e não queria falar.

-Não tenhas medo Clara. Eu não te vou prender. –Disse o agente tentando deixa-la à vontade.

-Eu e o António estávamos à janela e ele viu-nos. Quando chegámos à sala ele estava a pegar fogo à sala e apontou-nos uma arma. O António começou a lutar com ele e levou um tiro no braço. O homem foi em direção à arma e eu também. Cheguei primeiro e disparei. Não tive escolha. Era ele ou nós. – Disse Clara começando a chorar.

-Calma Clara! – Diziam os amigos tentando acalmá-la.

-Mas há mais… – Continuava Clara.

-Fala. – Pediu o agente.

– Os outros dois falaram em embarcar crianças.

-Eu vou fazer uns telefonemas.- Disse o agente afastando-se.

Clara vai ter com António à ambulância.

-Como estás? – Pergunta ela.

-Bem, graças a ti…-Disse António.

-Temos que ir. – Disse ao paramédico a António e Clara.

Clara sai sorrindo para António. Os colegas de turma vêm ter com ela e chega também o agente.

-Não te salvaste só a ti e ao António… Salvaste mais 52 crianças.

-Ainda bem. Eu… Achei que ia perdê-lo e quando ouvi falar em crianças…

-Tem calma. Agora tens que vir comigo até à esquadra, pode ser?

Clara foi com o agente e o resto da turma foi para casa. Os pais já sabiam de tudo e ninguém acabou por ser castigado.

Depois de Clara prestar depoimento, foi ao hospital ter com António.

-Como estás? – Perguntou Clara entrando no quarto e sentando-se aos pés da cama onde António também estava sentado.

-Já te disse que estou bem. Estou pronto para outra.

-Não digas isso nem a brincar.

-Clara… -Começou António pegando na mão de Clara. -Foste muito corajosa.

-Não havia outra solução. – Disse Clara.

-Havia sim. Podias ter fugido como eu te disse.

-Eu era incapaz de te deixar lá. – Disse Clara e ficaram os dois a sorrir um para o outro.

-Já podes ir embora. – Disse a enfermeira entrando no quarto.

-Já não era sem tempo. – Disse António levantando-se da cama.

Clara e António saíram para a sala de espera e passados alguns minutos chegaram os pais de António que iam levar Clara a casa.

A caminho do carro, Clara e António ficaram mais para trás.

-Tive medo de te perder. – Disse Clara e António sorriu. – De que te estás a rir.

-Nada. Só nunca pensei ouvir-te dizer isso.

-Também nunca pensaste levar um tiro.

-Então, se eu não levasse um tiro, não dizias isso? Já valeu a pena.

Clara riu e beijou-o. Sorriram um para o outro e entraram para o carro.»

Chegámos ao final e gostava muito de saber o que acharam… Foi algo que já escrevi há bastante tempo e, sinceramente, pensei em nem postar e só postei por ter sido inspirado em duas pessoas muito importantes. Espero que tenho gostado 🙂

 

Uma noite na Casa Abandonada – 3º Capítulo

«-Não faças barulho. – Diz António.

Estava uma chave no chão. António levantou-se e foi tentar trancar a porta. E conseguiu. A chave era daquela porta.

Os homens pararam no corredor a conversar.

-Não achas que exageraste?

-Com o quê?

-Com os outros dois. Eram nossos amigos.

-Amigos!? Eles iam contar tudo à polícia.

-Talvez os conseguíssemos convencer a não contar nada.

-Agora não há nada a fazer.

Clara e António olham-se e voltam-se a abraçar.

Que estariam aqueles homens a fazer naquela casa? Seria um local de encontro? Qual seria o plano deles?

-Desta vez é o quê?- Pergunta um dos homens.

-O mesmo da última vez.

-O patrão nunca mais chega.

-Deve estar a embarcar as crianças.

-Vamos lá para baixo.

Os homens desceram e Clara soltou uma lágrima e António deu-lhe um beijo na testa.

-Vai correr tudo bem.- Sussurrou António

-António, eu quero sair daqui. – Disse soluçando.

-Calma. Eu vou tirar-te daqui. Prometo!

António levantou-se e foi em direção à porta.

-Que estás a fazer António?

-Vou tirar-te daqui. Fica aqui.

-António…

-Vai correr tudo bem.- Diz António.

Ouve-se um carro a chegar. Clara levanta-se e vai até à janela.

-António entra!- Diz Clara correndo até à porta.

-Que se passa?

-O patrão chegou.

-Ainda estão ali todos.- Diz António

-Quem?- Pergunta Clara espreitando.

-Os da nossa turma. Olha eles alí escondidos.

-Eles são doidos.

Os dois homens foram embora e só ficou o chefe. Seria esta a melhor oportunidade para ele fugirem?

O chefe olhou para a janela e Clara e António baixaram-se, mas ele viu-os.

-Anda Clara! Rápido!- Disse António puxando Clara pela mão.

António e Clara chegaram à sala e o homem estava a espalhar gasolina para pegar fogo à casa.

-Vós não devias estar aqui. -Disse o homem a António e Clara.

-Por favor, não faça isso.- Pediu Clara enquanto o homem acendia o isqueiro.

-Lamento.- Disse o homem com alguma troça.

-Deixe-a sair, por favor.- Pedia António.

-Nem pensar, mas vou poupar-vos algum sofrimento.- Disse o homem pegando numa arma.

Clara e António estavam um pouco afastados, por isso, o homem apontou a arma para Clara que estava muito assustada.

António tivera prometido a Clara que não deixaria que nada de mal lhe acontecesse, por isso, começou a lutar com o homem que deixou cair o isqueiro.

A casa começou a arder.

-António para.- Gritava Clara.

De repente ouviu-se um tiro.»

O que estão a achar? Deixem os vossos comentários. Gostam deste tipo de post de escrita? Contem-me nos comentários se querem mais ❤

Uma noite na Casa Abandonada – 2º Capítulo

«Desceram, os dois, as escadas devagar, mas quando chegaram à porta da cozinha ela estava trancada.

-E agora António?- Sussurrou Clara.

-Vamos ver se está alguém na sala. Se não estiver, saímos por lá.

-O quê?

-Não te preocupes! – Sorri, malandro, para aliviar o nervosismo. –  Eu protejo-te.

Foram os dois em direção à sala. Clara ia agarrada a António. Ele deu-lhe a mão e foi mais à frente. Quando chegaram à sala só lá estava um homem estendido no chão.

-António, olha ali!-Disse Clara apontando para o homem.

António foi em direção ao homem para ver se estava vivo. Pôs o seu dedo indicador no pescoço do homem e viu que não tinha pulsação.

-Está morto!-Diz António olhando para Clara.

-Vamos embora, por favor!-Pede Clara assustada.

Tentaram abrir porta, mas também estava trancada.

-Quem trancou as portas todas?

Ouviram-se passos e alguém a falar.

-Vamos esconder-nos. Rápido!

António puxa Clara pela mão e escondem-se atrás de uma secretária que estava na sala. Desceram dois homens pelas escadas e foram em direção o cadáver.

-Eu disse-te que não estava cá ninguém. – Disse um.

-Aquilo não estava lá quando saímos. Eu tenho a certeza.

-Para com isso! Temos mais para fazer…

-Este teve o que merecia…-Disse um dos homens dando-lhe um pontapé.

Clara apertou com toda a sua força a mão de António e este, para a acalmar, abraçou-se a ela.

Os homens ficaram na sala cerca de 20 minutos e, António e Clara, ficaram todo esse tempo atrás da secretária, abraçados.

-Vou lá fora ver se o chefe ainda demora… – Diz um dos homens.

-Eu vou contigo.

Saíram os dois, mas voltaram a trancar a porta. Porque trancariam as portas? Desconfiariam que estava mais alguém dentro da casa?

-Anda! Rápido!-Disse António puxando Clara pelo braço. Subiram as escadas a correr e trancaram-se no quarto. Clara estava a tremer.

-Calma Clara. Vai correr tudo bem. -Disse António.

-Achas que vai correr tudo bem? Estes homens não estão par brincadeira. Se nos apanham aqui ainda…

-Ainda nada. Eu não deixo que ninguém te faça mal. – Diz António abraçando-se a Clara.

Sentaram-se num canto do quarto, mas sempre abraçados. Passados alguns minutos, António levanta-se e vai à janela.

-Que vais fazer? – Pergunta Clara preocupada.

-Vou ver se consigo perceber o que se passa aqui.

Os homens estavam no jardim com um terceiro. Depois de alguns minutos a discutir um dos homens apontou uma arma a este terceiro. Ele não estava muito assustado. Ele achava que o “amigo” não era capaz de disparar contra ele, mas enganou-se. Disparou mesmo. E António baixou-se e Clara correu até ele e abraçou-se a ele ainda baixados. Levantaram-se os dois devagar e espreitaram novamente. O homem não se mexia, mas eles continuavam a trata-lo mal mesmo depois de morto.

Voltaram para o canto e sentaram-se.

-Posso fazer-te uma pergunta?-Pergunta António.

-Claro, diz!- Diz Clara.

-Como estão as coisas com o Filipe? Eu percebi que não estavas bem…

Filipe era o ex-namorado de Clara. E já há algum tempo que Filipe e António tinha problema, pois António há muito que gostava de Clara.

-Acabámos.- Diz Clara.

António não consegui conter um sorriso.

-Ele não é rapaz para ti. – Diz António.

-Achas que é a altura para falar disso?

Ouviram-se passos no corredor.»

O que estão a achar? Deixem a vossa opinião 🙂